Artigo

Vender produto digital no Brasil: MEI, imposto e as novas regras

Por Equipe Sketch Dev
Documentos, calculadora e celular representando imposto sobre venda digital
meiimpostoproduto digitalregularizar rendavender curso

Existe um momento desconfortável na vida de quem começa a faturar com programação. As vendas aparecem, o dinheiro entra na conta, e vem a pergunta: e agora, eu preciso declarar isso? Preciso de CNPJ? Vou ter problema?

Quase todo mundo empurra essa dúvida para depois e trabalha com um medo de fundo. Vamos organizar o assunto, porque é bem menos complicado do que parece.

Importante: este texto é uma explicação geral para você entender o terreno. Regra tributária muda com frequência e cada caso tem detalhe. Antes de decidir, confira nos canais oficiais e, se o valor já é relevante, converse com um contador. Uma consulta custa pouco e evita erro caro.

Renda é renda, mesmo sendo pela internet

Primeiro ponto, sem rodeio: dinheiro recebido por venda de projeto, curso ou serviço é renda. Não existe faixa mágica de "abaixo de tanto não conta". O que existe são regras diferentes conforme o valor e o formato.

A boa notícia é que a Receita não está atrás de quem vendeu três projetos. O problema aparece quando o volume cresce e não tem nada organizado atrás. Aí o acerto sai bem mais caro que a prevenção.

Pessoa física ou MEI?

No começo, recebendo pouco e de vez em quando, muita gente opera como pessoa física e declara a renda. Funciona, mas tem duas limitações: você não emite nota fiscal com facilidade, e a tributação sobre renda de pessoa física pode ser mais pesada conforme o valor sobe.

O MEI costuma ser o caminho natural de quem está começando a faturar de verdade. As vantagens práticas:

  • CNPJ, que abre porta com cliente empresa;
  • emissão de nota fiscal, que muita empresa exige para pagar;
  • um valor mensal fixo baixo no lugar de cálculo complicado;
  • contribuição para o INSS, contando para aposentadoria e outros benefícios.

O MEI tem um limite de faturamento por ano e uma lista de atividades permitidas. Esses dois números mudam de tempo em tempo, então confira o valor do ano vigente e a atividade certa direto no Portal do Empreendedor antes de abrir. Atividade de desenvolvimento de software e de serviço de tecnologia normalmente se encaixa, mas vale conferir o código exato.

Passou do limite do MEI? Existe o caminho de virar microempresa no Simples Nacional. É mais caro em contabilidade, e é o sinal de que o negócio cresceu.

Nota fiscal: quando é preciso mesmo

A regra prática que resolve a maioria dos casos:

  • Vendendo para pessoa física pela internet, o comprador em geral não vai te pedir nota.
  • Vendendo para empresa, prepare-se: quase sempre vão exigir nota para poder pagar você. Sem nota, muita empresa simplesmente não fecha.

É justamente por isso que quem quer pegar trabalho melhor acaba abrindo MEI. Não é burocracia por burocracia: é o que te dá acesso a cliente que paga mais.

Guarde o registro de tudo

Isso vale independente de você ser MEI ou não, e é o hábito que mais salva na hora do aperto.

Mantenha, mês a mês:

  1. quanto entrou e de onde veio;
  2. comprovante de recebimento;
  3. o que você gastou para trabalhar (internet, ferramenta, equipamento).

Uma planilha simples resolve. Quem tem isso organizado resolve a declaração em uma tarde. Quem não tem passa dias caçando extrato de dois anos atrás.

Se você vende na plataforma, o seu histórico de recebimento fica em carteira, o que já adianta boa parte desse controle.

As regras que mudaram para aplicativo

Quem cria app precisa acompanhar outra frente além de imposto: as regras de distribuição.

O Android vem aumentando as restrições para instalação de aplicativo fora da loja oficial, e a tendência é de mais controle, não menos. Para quem desenvolve, isso tem consequência direta:

  • distribuir APK por link e grupo fica cada vez mais difícil e gera mais aviso de segurança para o usuário;
  • publicar na loja oficial exige conta de desenvolvedor, com taxa e processo de verificação;
  • quem vende projeto (o código, não o app instalado) não é afetado do mesmo jeito, porque a entrega é o arquivo do projeto para outro desenvolvedor.

Esse último ponto é estratégico e pouco gente enxerga: vender projeto para desenvolvedor foge de boa parte da burocracia de loja de aplicativo, e o pagamento é mais direto.

Recebimento: Pix, cartão e o que cai na conta

Na prática, a maior parte do que se vende no Brasil hoje é pago por Pix ou cartão. Duas coisas para ter em mente:

  • Taxa existe. Meio de pagamento cobra, e a taxa varia entre Pix, cartão à vista e cartão parcelado. Consulte a taxa atual no painel do seu provedor, porque muda.
  • Prazo varia. Pix cai rápido, cartão costuma ter prazo. Isso afeta o seu planejamento, não o seu lucro.

Na Sketch Dev a venda é em reais com divisão automática no momento do pagamento, e a sua parte vai para a sua conta. Isso simplifica bastante o controle, porque o valor chega identificado.

O que fazer essa semana

Sem transformar isso num projeto de seis meses:

  1. Abra uma planilha e registre o que você já recebeu este ano.
  2. Separe o dinheiro do trabalho do dinheiro pessoal. Se possível, uma conta só para isso.
  3. Se você já fatura com constância, pesquise a abertura de MEI e a atividade correta.
  4. Guardando os comprovantes desde já, você não precisa correr depois.

Por que vale a pena se organizar

Não é só para evitar problema. É porque negócio organizado cresce mais.

Com CNPJ e nota você atende empresa. Com controle de entrada e saída você sabe qual produto realmente dá lucro. Com dinheiro separado você para de confundir faturamento com salário, que é o erro que quebra a maioria dos pequenos negócios.

Quem trata a própria renda como negócio de verdade cobra melhor, planeja melhor e dura mais.

Ver meu histórico de recebimentos

Ver mais artigos no Sketch Dev